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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Dez maneiras como Twitter é valioso para jornalistas

Veja como o Twitter pode ser útil a jornalistas.

1. Notícias urgentes

Quando uma notícia de última hora surge na sua comunidade, seja um acidente aéreo, ataque terrorista, terremoto, inundação, assassinato em massa ou tempestade de neve, as pessoas que assistem ao evento e passam pela experiência tuitam sobre ele. O desafio do repórter na cobertura de notícias sempre foi o de tentar encontrar pessoas que testemunharam o evento ou foram afetadas por ele. Usando a pesquisa avançada do Twitter, você pode rapidamente encontrar e se conectar com essas pessoas para entrevistá-las e/ou para citar ou incorporar seus tuites em suas matérias.

2. Seguir pessoas e organizações de valor noticioso

Pessoas públicas e organizações em sua comunidade usam o Twitter para anunciar notícias, expressar opiniões, responder a pessoas da comunidade. Qualquer uma destas mensagens pode ser notícia. Se você não segue as pessoas e organizações em sua editoria, vai perder notícias certamente como se ignorasse seus releases, conferências de imprensa e declarações confusas que fazem em seus discursos públicos...

3. Crowdsource

Especialmente se você reuniu um número considerável de seguidores que compartilham seus interesses e se consegue envolvê-los efetivamente em conversa, seus seguidores podem fornecer respostas rápidas às suas perguntas e ajudar a encontrar rapidamente fontes para matérias. Encontrar as fontes certas pode ser um exercício demorado para um repórter tradicional. Para um usuário eficiente do Twitter, as respostas podem vir em segundo. Você poderá ter de verificar essas respostas, mas tem que fazer isso na reportagem tradicional também.

Crowdsource (usar informações do público através da rede social) com Twitter nem sempre funciona, mas só gasta um ou dois minutos para criar um tuite eficaz. Se isso não funcionar, você sempre pode recorrer a cair ao desenvolvimento de fonte tradicional. Mais provavelmente, vai encontrar algumas fontes úteis no Twitter, economizando algum tempo, e pode concentrar seus esforços em encontrar as últimas fontes que precisa.

Andy Carvin da emissora NPR dos EUA é mestre em crowdsource com o Twitter. Leia seus relatos de como seus seguidores no Twitter ajudaram a desmascarar a especulação de que os israelenses estavam armando rebeldes líbios e ajudou a desmascarar a notícia sobre a garota gay em Damasco teria sido presae que ela era realmente um homem heterossexual na Geórgia.

4. Buscar fontes

Se você não tem muitos seguidores ou se seus seguidores não sabem as respostas que você está procurando, o Twitter ainda pode ajudá-lo a encontrar as fontes. Use a pesquisa avançada para procurar pessoas em sua comunidade usando palavras-chave que possam indicar interesse ou experiência no assunto que você está relatando. Ou verifique a hashtag relacionada ao tema que está trabalhando e veja se algumas das pessoas tuitando sobre o assunto podem ser fontes úteis. Ou você pode procurar por nomes ou palavras-chave nos perfis dos usuários do Twitter, buscando pessoas que trabalham para a empresa sobre a qual está escrevendo ou uma pessoa específica que você pode não conseguir alcançar por telefone mas que tuita sobre o assunto do seu interesse.

5. Reunir declarações da comunidade

A matéria com um homem na rua é um clichê (machista) do jornalismo. Se você está parado nesta reportagem, o melhor é fazê-la rapidamente e passar para algo que seja uma maneira melhor de gastar o seu tempo. Se você está realmente na rua ou em um shopping center ou um evento da comunidade, muitas vezes aborda várias pessoas que não querem falar com você; mais pessoas que não sabem nada sobre o problema sobre o qual você está perguntando; e ainda mais pessoas que não têm nada de interessante a dizer. Obter uma resposta útil de cada cinco tentativas é um resultado bom; uma em cada 10 não é incomum.

Faça sua pergunta no Twitter (se você construiu uma substancial comunidade engajada) e você obterá respostas rápidas, todas de pessoas que têm algo a dizer sobre o assunto (algumas ainda não tão interessantes). Você pode querer usar uma mistura de Twitter, Facebook e a tradicional reportagem na rua.

Uma ressalva: Se você usar esta técnica várias vezes, precisa se ​​proteger contra usar as mesmas pessoas que podem responder a cada vez que você faz uma pergunta. Mas jornalistas demais "usam os suspeitos de sempre" em suas editorias, de modo que não é um problema exclusivo do Twitter...

6. Ideias de pauta

Você pode obter ideias de pauta no Twitter de pelo menos duas maneiras diferentes:

Ouça a conversa da comunidade. Um único tuite pode apresentar uma boa ideia de pauta. Ou tuites múltiplos sobre o mesmo tema que podem lher dar uma ideia sobre que algo está se tornando um tema quente que você deve cobrir.

Utilize ideias do público. Quando eu era editor do Cedar Rapids Gazette, Molly Rossiter era nossa repórter de religião. Ela desenvolveu um relacionamento forte com muitas pessoas da comunidade no Twitter envolvidas em diversas organizações religiosas. Quando um feriado ou grande evento estava chegando, Molly perguntava por ideias a sua comunidade no Twitter para matérias relacionadas com a Quaresma ou a Páscoa, por exemplo, e muitas vezes obtinha respostas úteis.

7. Economizar tempo

Eu não vou fingir que o Twitter não pode ser um desperdício de tempo. Você pode certamente perder tempo enquanto lê tuites, responde e segue links se não tem disciplina no uso do Twitter. (Em breve vou atualizar minhas dicas 2010 de gestão de tempo no Twitter como parte desta série.) Mas você também deve saber que o uso inteligente do Twitter pode economizar tempo.

Observe nos pontos acima as maneiras como o Twitter economiza tempo na cobertura de notícias urgentes, para encontrar fontes, obter respostas às suas perguntas e desenvolver ideias de pauta. Eu não sou um repórter, mas escrevo muito sobre jornalismo digital e a indústria de notícias, por isso sou muito como um repórter nesse sentido. O Twitter me ajuda a encontrar a notícia e o comentário que preciso ler sobre a minha editoria mais rapidamente do que as outras fontes que tenho usado para me manter informado...

8. Distribuir conteúdo

Esta é a primeira maneira como muitos jornalistas e organizações de notícias reconhecem o valor do Twitter. Quando você publica uma matéria ou post de blog, compartilhe um link ao artigo com uma comunidade engajada no Twitter e você verá um aumento imediato no tráfego. Praticamente todos os dias quando eu publico algo novo no meu blog, o Twitter é a principal fonte de tráfego para o blog. Isso não significa que o Twitter é a melhor fonte. Muitas redações obtêm melhores resultados com o Facebook. Mas você dever usar ambos...

Quando seus seguidores retuitam seus links, gera mais tráfego. Se alguém com muitos seguidores, como Jay Rosen, Jeff Jarvis ou Carvin Andy, retuita um link para meu blog, eu noto um aumento quase imediato no trânsito. (Jay, Jeff, Andy, Jim, se quiser me ajudar a demonstrar isso hoje...)

9. Continuar a conversa

Depois de postar um link para o sua matéria, vídeo galeria de fotos, ou blog mais recente, convide seus seguidores em um tuite (ou alguns tuites) a discutir o assunto ou evento. Faça algumas perguntas e responda às respostas. Podem lhe dar algumas ideias de seguimento. Seus tuites podem fazer uma atualização para acrescentar à matéria. Podem lhe dar algum feedback útil. Eles vão apreciar a conversa.

10. Responder às críticas e perguntas

Jornalistas que se envolvem no Twitter invariavelmente leem algumas críticas e perguntas sobre seu trabalho (ou sobre notícias que perderam ou escolheram não seguir). Algumas críticas serão úteis; algumas serão absurdas.

A crítica útil faz de você um melhor jornalista (e sua resposta grata constrói uma conexão valiosa, não só com quem lhe criticou, mas com outros que poderão notar e apreciar sua resposta).

Algumas das perguntas ou críticas podem fornecer ideias de pauta ou ângulos de seguimento. Você pode ser capaz de responder a outras olhando seu bloco de anotações, algo que deixou de fora, porque pensou erroneamente que leitores não gostariam (ou porque você se sentiu limitado pelo espaço ou restrição de tempo).

Eu até incentivo engajar com os leitores cuja crítica é hostil ou desrespeitosa. Alguns deles podem pensar que você não está ouvindo e você pode mudar a opinião respondendo respeitosamente. Em mais de uma ocasião, respondi amavelmente a um tuite sarcástico que tinha uma questão válida, e tornei esse tuite sarcástico em uma conversa amigável que terminou com um pedido de desculpas ou um tuite de agradecimento.

FONTE: IjNet, por Steve Buttry, Digital First Media.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Existe uma diferença essencial entre copiar, compartilhar e remixar.

Nos últimos dias tive uma pequena decepção pessoal. Fiz uma adaptação do infográfico “What brands post on Facebook?” da Pandemic Labs para criar uma imagem usando os mesmo dados, mas utilizei apenas um pedaço dele. Esta imagem foi publicada na fan page da Magoweb, onde eu trabalho, com o logo da empresa e também da Pandemic Labs.

Ai que começa a minha decepção, outra empresa resolveu pegar essa imagem, remover os logos da Magoweb e da Pandemic Labs e usar o mesmo texto para publicar em sua fan page. Ok, não é um grande problema, não estou sendo vitima de nenhum crime. O excesso de preocupação com “o que é meu e o que é seu” também perde um pouco o sentido na internet, devo admitir. Também não podemos acusar ninguém sem saber a circunstâncias do crime.

Confira também: Comunicação, Internet e Direitos Autorais. Entrevista com Ronaldo Lemos.

Mas não vim aqui reclamar dos problemas desta vida moderna, mas sim entender um pouco melhor o que podemos considerar uma “cópia”, o que é “compartilhar” e quando as coisas são apenas um “remix”.
Copiar

Segundo o querido e lendário Michaelis, copiar é:

co.pi.ar
(cópia+ar2) vtd 1 Fazer a cópia escrita de; transcrever, trasladar: Copiar um discurso. Copiar do original essa poesia.2 Reproduzir (falando de uma obra de arte): Copiar um painel. Copiou de um tipo ideal essa bela imagem. 3 Fazer a sua obra a exemplo de; inspirar-se de: Copiava-lhe as graças e os tons do estilo. ”Da pintura copia a cor e o debuxo dos seus quadros” (Latino Coelho). 4 Imitar, plagiar. DICIONÁRIO MICHAELIS

O conceito mais compreendido é o 4, “imitar, plagiar”, que significa que você usou o conteúdo de algo/alguém e pegou para você. Você pode copiar algo legalmente e ilegalmente, ou seja, dentro de leis vigentes ou simplesmente pulando o muro e fazendo do seu jeito.

Exemplificando a situação. Comprar um jogo original é comprar uma cópia para você legalmente. Baixar o jogo no Pirate Bay é ilegal, o famoso “piratear”.

Então quando você copia o conteúdo de alguém, você está usando os direitos de outra pessoa para o seu próprio benefício. Isso algumas vezes pode não ser ilegal, mas pode ser errado. Na internet se aceita o conceito de “desde que cite a fonte, ok”. Isso é um espirito um pouco diferente, mais humanizado, que entende que tudo pode ser compartilhado de diferentes formas. Ai começa a briga em Direitos Autorais (c) e Direitos Creative Commons (cc).

© vs CC

O Direito Autoral (também conhecido como copyright ou pelo símbolo ©) é reconhecido como a denominação de direitos legais sobre obras intelectuais (literária, artística ou científica). Ou seja, algum conteúdo marcado com © não pode ser reproduzido sem prévia autorização ou repasse financeiro sobre os direitos.

Para quem quer ler mais sobre direitos autorais no Brasil, recomendo este link.

Já o CC (Creative Commons) é uma organização que criou a sua própria licença de uso de obras intelectuais, uma licença reconhecida praticamente no mundo todo e que tem uma perspectiva um pouco diferente. No CC o autor pode desde o início distribuir o seu trabalho em uma das seis licenças disponíveis:
Somente atribuição (CC-BY)
Atribuição + Uso não comercial (CC-BY-NC)
Atribuição + Não a obras derivadas (CC-BY-ND)
Atribuição + Compartilhamento pela mesma licença (CC-BY-SA)
Atribuição + Uso não comercial + Não a obras derivadas (CC-BY-NC-ND)
Atribuição + Uso não comercial + Compartilhamento pela mesma licença (CC-BY-NC-SA)

Muitos reclamam que o CC não é suficientemente abrangente, mas ele já permite que os autores de conteúdo deixem mais claras as suas intenções em relação ao que esta sendo distribuído.

Este blog que você está lendo, por exemplo, está licenciado oficialmente (desde a sua última atualização para versão 6) na licença CC-BY-SA 3.0, ou seja, você pode compartilhar, reproduzir, adaptar o trabalho e inclusive fazer uso comercial dele, desde que você atribua a fonte (diga que tirou do blog) e compartilhe dentro da mesma licença (não pode usar para algo que tenha ©, por exemplo).


Compartilhar arquivos não é pirataria!
E onde está o copyleft nessa história?

O copyleft, como já fica claro no nome, é uma oposição direta ao copyright. Este é um movimento como um todo, sendo as licenças creative commons um exemplo de copyleft, mas ele pode ser representado por outras licenças também.

Para mais informações sobre o Copyleft recomendo a leitura desse post do Baixa Cultura.
Diferença entre copiar e compartilhar

É nessa grande discussão que entramos hoje quando falamos de conteúdo na internet. Alguém tem direito sobre uma foto que tirou e depois postou no Flickr? Ou melhor, qual o direito que ela tem? É uma discussão complexa que fundamenta grupos de discussão a muito tempo.

Para blogs, por exemplo, o CC é praticamente predominante, especialmente porque ele está muito mais ligado a “cultura de compartilhamento livre” da internet. A grande maioria vive na mesma ideia simples de que você pode compartilhar e reutilizar qualquer conteúdo, desde que atribua a fonte. É bem comum ver um link no final dos posts ou menções dentro do mesmo. Muitos infográficos são distribuídos sob licenças semelhantes.

Vídeos no Youtube podem usar um dos níveis do CC, mas por padrão usam os direitos padrões do Youtube que são restritivos de forma geral.

Segundo o dicionário, compartilhar significa:

com.par.ti.lhar
(com2+partilhar) vtd Participar de, ter ou tomar parte em:Compartilhou a sorte do esposo. Compartilhou com os seus soldados a glória do triunfo. DICIONÁRIO MICHAELIS

Então, voltando ao assunto lá do começo, sobre o ‘roubo’ da imagem. Minha decepção não é por ter conteúdo roubado, mas sim porque as pessoas desconhecem esse ‘espirito CC’ que a internet apresenta, onde as pessoas não se importam tanto com os direitos individuais, mas querem ao menos receber as atribuições sobre o que fizeram.

Quem tem blog sabe que é normal ver o seu conteúdo copiado, sabe que todos os dias diversas pessoas copiam o seu trabalho. A grande maioria adiciona um link no final, onde diz a fonte original do texto, mas muitos não fazem, faz parte. Existe um verbo-internético criado para definir isso, o “kibar” (sim, é uma referência ao Kibe Loco).

O ciúme por um conteúdo que não é mais apenas seu

Agora entramos no outro lado da moeda. Durante a palestra “Embracing the Remix” de Kirby Ferguson no TED, o autor do documentário “Everything is a Remix” (que você pode encontrar aqui) fala um pouco sobre essa cultura de patentes e problemas legais na indústria da música.


Durante a sua fala ele traz algo que também está em seu documentário. As pessoas tem uma estranha possessão sobre as coisas. “Eu fiz, eu quero para mim”. Ele lembra a famosa frase de Steve Jobs:

Bons artistas copiam, grandes artistas roubam.STEVE JOBS COMENTANDO A SUA RELAÇÃO COM A XEROX

E Kirby adiciona um comentário interessante a essa frase de Jobs. “Bons artistas copiam, grandes artistas roubam. Desde que não seja de mim” – Trazendo uma frase mais recente de Steve Jobs, onde ele mostra (ironicamente) a sua indignação com a sistema operacional Android que ele considera uma cópia descarada do seu iPhone.

Ao longo de seu documentário ele mostra que é uma inocência nossa pensar que podemos produzir algo simplesmente do zero. Mesmo Steve Jobs, considerado um gênio por seus seguidores, usou diversas referências para as suas construções. Kirby tenta deixar claro que quando criamos algo parecido não estamos “copiando”, mas “remixando” algo que nos foi apresentado antes. A criatividade que ostentamos é fruto de muitas referências (quanto mais, melhor).

O documentário “Everything is a Remix” é uma ótima forma de você entender um pouco melhor o conceito de “remix”.

FONTE: Midiatismo, por Dennis Altermann